Colocando a Filosofia Cotidiana em um baú.

Por: Arthur Duran

Ah, as 22 horas, hora perfeita para colocar como um marco entre o mundo das crianças e o mundo dos adultos, a hora em que o transporte público passa a ser só seu, as ruas passam a ser só suas, e todos aqueles locais supérfluos e relativamente inúteis movidos à claridade e movimento se fecham, a hora onde seus pensamentos são livres para voar e se enroscar em copas de postes em forma de luminárias chinesas e sem algum problema sequer, afinal, não há quem possa ver, é como um momento sinistro do qual todas as pessoas são envolvidas por uma grande camada de uma neblina grossa, negra e cintilante que as permite lembrar apenas o caminho de casa e seu nome, já seus pensamentos, assim como os meus, pairam, voam.

Ao voar, indebutávelmente voei no tempo, quis repetir por inúmeras vezes possíveis o que foi a minha tarde, todo aquele olhar e aquele sorriso apaixonado retribuido por um sorriso constrangido talvez de tanta paixão, talvez de algo muito maior que isso, de algo inesperável, algo que nem meus próprios pensamentos enquanto voam e refletem podem concluir um pingo sequer do que seja, o que os leigos chamam de amor.

Contudo, não acredito que seja amor, acredito que seja mais, seja uma amizade aos olhos de uns, atração aos olhos de outros, e até o tal amor dos leigos, mas para mim, são catalisadas todas as energias positivas e conjuntas possíveis nesse mundo (e talvez em outros), e essa conclusão, só pude tomar no aterrisar de meus pensamentos quando chamei o elevador.

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